sexta-feira, 15 de junho de 2012

Joãozinho e a pedra-Comentários de Clevane Pessoa


Recebo, por e-mail,  de uma amiga, que recebeu de outra.
Eis mais umas das piadas de Joãozinho, o terrível- que representa a liberdade de expressão da criança brasileira em piadas e todos conhecem, sem rosto, sem idade certa, mas  
com o espírito da infância maliciosa ou não, que deve levar adultos não apenas rirem, mas a ponderarem o real significado:
Trata-se de uma anedota, que pode fazer rir, inconsequentemente, mas pode levar a complexas análises sobre a drogadição para a infância (e pré-adolescência adolescência...juventude...adultos a idosos!) .Eis a historia-zinha:
"Tempos modernos...

Na sala de aula, com seus alunos, o professor estava analisando aquele famoso poema de Carlos Drummond de Andrade:

"No meio do caminho tinha uma pedra.
Tinha uma pedra no meio do caminho.
E eu nunca me esquecerei
Que no meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho."
Depois de ter explicado exaustivamente, que ao analisarmos um poema, podemos detectar as características da personalidade do autor, implícitas no texto, o professor pergunta

- Joãozinho, qual a característica da personalidade de Carlos Drummond de Andrade que você pode perceber neste poema?

- Professor, das duas uma: ou ele era traficante ou era usuário!!!

Minhas considerações à amiga::





Você, enquanto Assistente , eu enquanto psicóloga, mas sobretudo, enquanto cidadãs, muito vimos e vemos as consequências das drogas.
Até na linguagem donde tantos pequenos, qual o joãozinho, relê "pedra" como crack.No entanto, muitos quando lerem a "anedota", apenas rirão.
Abrs:
Clevane 


Eis mais umas das piadas de Joãozinho, o terrível- que representa a liberdade de expressão da criança brasileira em piadas e todos conhecem, sem rosto, sem idade certa, mas  
com o espírito da infância maliciosa ou não, que deve levar adultos não apenas rirem, mas a ponderarem o real significado:
Trata-se de uma anedota, que pode fazer rir, inconsequentemente, mas pode levar a complexas análises sobre a drogadição para a infância (e pré-adolescência adolescência...juventude...adultos a idosos!) .

Em casa, se pais são severos ou ignorantes, a criança poderá ser cerceada, recriminada, ou apenas compreendida, se o meio onde vive, tem no entorno, drogadição, tráfico, crianças-avião, que vão no lugar de traficantes visados , buscar e entregar a droga, receber ou pagar dinheiro, sujeitas não apenas a balas perdidas, mas aos riscos que sua fragilidade natural facilita:violências-inclusive a sexual e óbito.Também são os viciados pelos que os usam, numa forma de exercício de poder.Em breve, eles correrão qualquer risco, para "ganhar" um pouquinho da droga da qual tornaram-se dependentes.
No caso doi crack, a situação geral , social e pessoal é gravíssima, porque ela age muito rapidamente no cérebro, 
os que as torna com muito mais dificuldades de aprendizado, de reflexos naturais nessa idade.Até o vocabulário sofre déficit, donde os especialistas concluírem que o crack é bem mais perigisi que a cocaína e nãoi apenas potencialmente.
Alguns irmãos mais velhos, namorados das mulheres que conhecem ou de sua família, obrigam-nos pela força e essa coerção pode ser mental ou fisica, mas, claro, viciar os menores é ainda mais produtivos, pois tornam-se escravos dos 
donos da droga.
Mas alguns pais usam os filhos, sem cerimônia- o pátrio poder-para ganhar dinheiro ! De uma senhora abrigada na Casa -Abrigo sempre Viva, em Belo Horizonte, onde por seis meses desenvolvi um trabalho de recuperação dos traumas das violências a que estavam submetidas mulheres e sua família,ouvi contar que o marido, pai de seus filhos bem pequenos, descia um morro onde moravam, com as crianças pela mão, passando  sem revista pelos policiais ali de plantão .Traficante, colocava na cuequinha e na calcinha do menino e da menina, os papelotes e as pedras.Onde certamente, vinha o dinheiro de seu lucro, com todos os micro-organismos que essas notas carregam, ali, próximas aos genitais.
Também soube de um pai, cuja esposa trabalhava , que convidada todos os usuários de seu grupo para sua casa, pois a oferecia  como reduto-e ganhava suas pedrinhas.No meio do vício, engatinhava a filhinha de nove meses.Um dia, ela voltou mais cedo e encontrou a cena.Quando reclamou, apanhou dele ,enquanto os outros riam.Apanhou prá  valer.
Já atendi muita gente em situação de risco -ou em meu consultório, ou hospital, muitas vezes fazendo entrelace de todos os vieses profissionais à mão:assistentes sociais, neurologistas, psiquiatras, delegada de delegacia especializada em crimes contra a mulher, ginecologistas, pediatras, hebiatras...
Lembro que se na escola, a criança cai de produtividade e aprendizado, pode ser porque ao  fazer  uso  de crack  o desenvolvimento cerebral sofre interferências .E a capacidade cognitiva, (como o cérebro age em relação ao exterior, por exemplo, percepção, pensamento, aprendizado, apreensão do novo, memória, tudo fica  em comprometimento que leva a deficits) .Os cinco sentidos, que tanto são coadjuvantes na aprendizagem, obnubilizam-se.Professores devem estar atentos, buscar saber as causas conversar com a familia. Muitas vezes,a creditam que as dificuldades de raciocínio,são deficiências de inteligência, quando na verdade, são fruto da drogadição.O crack prejudica rapidamente-então, se criança ou adolescente muda,porque a  memória  está afetada, a capacidade de comunicar-se verbalmente sofre inferências e diminuição - a fluência verbal, o excesso de gírias e gestos para substituir palavras de sua faixa etária ou das matérias ensinadas, , são sinais importantes.Sono na sala de aula, desconcentração , desinteresse, claro, prejudicam o aprendizado.Também devem observar a frequência  à escola, à sala de aula, pois muitos enganam a família , saem mas vão cumprir suas tarefas ou fazer uso do crack.
Outro ponto a observar é a violência-verbal, de atitudes, corporal, contra colegas e adultos da escola-até contra professores-que hoje chegam a ter de tratar-se para dominar crises de ansiedade ou pânico quando têm de sair para lecionar.


Ao ler a anedota sobre o Joãozinho, vemos um reflexo hodierno de como a releitura do banal torna-se específico.E se a pedra do poeta não mais entrar nos processos cognitivos tal com deve ser conhecida-dos calhaus à poesia do simbolismo drumondiano, ou das noções escolares de rochas à pedra filosofal, algo vai muito errado: pedra significa crack.Isso dói ! E nosso conhecido joãozinho, ou ouviu por aí e nem bem o que é, ou já sabe e o perigo ronda...


Clevane Pessoa
Psicóloga clínica, escritora, poeta.




Vale a pena visitar a página cita acima ( Tride 3), bem resumida, em especial se vc conhece pouco de drogadição .E leia ainda os comentários.

Nenhum comentário:

Postar um comentário